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Percentual efetivo

Descontos e acréscimos

Dois descontos de 10% não dão 20%. Esta página mostra quanto dão de verdade, e por quê.

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Percentuais sucessivos não se somam

Dois descontos de 10% em sequência não dão 20%. Dão 19%, porque o segundo incide sobre um valor que já foi reduzido pelo primeiro. Sobre R$ 1.000, o primeiro tira R$ 100 e o segundo tira R$ 90, não R$ 100.

Com acréscimos, o efeito é o inverso: dois aumentos de 10% dão 21%, porque o segundo incide sobre um valor já aumentado. É a mesma mecânica dos juros compostos, em escala pequena.

Quanto maiores os percentuais, maior a distância. Dois descontos de 50% não zeram nada: sobram 25% do valor original.

O multiplicador único

Em vez de aplicar um percentual de cada vez, dá para resolver tudo de uma vez multiplicando os fatores. Um desconto de 10% é multiplicar por 0,9; dois descontos de 10% são multiplicar por 0,9 × 0,9 = 0,81.

Esse 0,81 é o multiplicador único equivalente, e a leitura dele é direta: sobrou 81% do valor, então o desconto efetivo foi de 19%.

A ordem dos percentuais não altera o resultado final, porque multiplicação é comutativa. O que muda é o valor intermediário — e isso importa quando cada etapa é registrada separadamente, como em nota fiscal.

Desconto e acréscimo não se anulam

Aumentar 20% e depois descontar 20% não devolve o preço original. Multiplicar por 1,2 e depois por 0,8 dá 0,96 — sobra 96%, com perda de 4%.

É o mecanismo por trás de promoções que aumentam o preço antes da liquidação. Um preço inflado em 20% e depois anunciado com 20% de desconto sai mais barato que o original, mas bem menos do que o anúncio sugere.

Para desfazer um acréscimo de 20% é preciso um desconto de 16,67%, e não de 20%. O caminho de volta nunca tem o mesmo percentual da ida.

Onde isso aparece na vida real

Liquidações com desconto adicional no caixa, cupom aplicado sobre preço já promocional, comissão de marketplace somada a taxa de cartão, reajuste anual aplicado sobre reajuste anterior — todos são casos de percentuais sucessivos.

Também aparece em imposto sobre imposto e em correção de valores encadeada. Sempre que a pergunta for 'quanto deu no total', a resposta não é somar os percentuais.

Perguntas frequentes

Como calcular desconto em um valor?

Multiplique o valor por 1 menos o percentual dividido por 100. R$ 1.000 com 10% de desconto: 1.000 × 0,9 = R$ 900.

Dois descontos de 10% dão 20%?

Não, dão 19%. O segundo desconto incide sobre o valor já reduzido pelo primeiro: 1.000 × 0,9 × 0,9 = 810.

Como calcular descontos sucessivos?

Multiplique os fatores em vez de somar os percentuais. Descontos de 10% e 20% dão 0,9 × 0,8 = 0,72, ou seja, 28% de desconto efetivo.

Aumentar 20% e depois descontar 20% volta ao preço original?

Não. Dá 1,2 × 0,8 = 0,96, ou seja, 4% abaixo do original. Para desfazer um acréscimo de 20% é preciso descontar 16,67%.

A ordem dos descontos muda o resultado?

Não muda o valor final, porque multiplicação é comutativa. Muda apenas os valores intermediários de cada etapa.

Como calcular acréscimo percentual?

Multiplique por 1 mais o percentual dividido por 100. R$ 1.000 com 10% de acréscimo: 1.000 × 1,1 = R$ 1.100.

Fontes e atualização

Aercio Rocha Santos Júnior

Responsável pelo conteúdo e pelos cálculos · atualizado em 16 de janeiro de 2026

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