A regra de bolso e o que ela cobre
A referência usada no Brasil é 600 BTU/h por metro quadrado em ambiente sem incidência direta de sol e 800 BTU/h por metro quadrado quando há sol direto em parte do dia.
A partir da terceira pessoa, some 600 BTU por pessoa: o corpo humano dissipa calor continuamente. Cada aparelho que esquenta — computador, televisão grande, forno — soma outros 600.
A regra pressupõe pé-direito de 2,70 m, que é o padrão residencial. Teto mais alto significa mais volume de ar, e a conta precisa acompanhar.
Subdimensionar é o pior dos dois erros
Um aparelho pequeno demais nunca alcança a temperatura ajustada. Ele fica o tempo todo trabalhando no máximo, sem desligar, e o consumo mensal acaba maior que o de um aparelho maior que atinge a temperatura e descansa.
Além do custo, há o desgaste: compressor que nunca para tem vida útil menor. E o conforto simplesmente não chega — o ambiente fica sempre 'quase' na temperatura desejada.
Economizar um degrau na compra costuma custar mais caro na conta de luz e na troca antecipada.
Superdimensionar também não resolve
Um aparelho grande demais derruba a temperatura muito rápido e desliga antes de completar o ciclo de desumidificação. O resultado é um ambiente frio e abafado ao mesmo tempo, com sensação desagradável.
Nos modelos sem tecnologia inverter, o liga e desliga constante — o chamado ciclo curto — é justamente o que mais desgasta o compressor e mais consome energia, porque a partida é o momento de maior demanda.
Modelos inverter sofrem menos com isso, porque modulam a rotação em vez de ligar e desligar. Ainda assim, capacidade muito acima da necessária é dinheiro gasto sem retorno.
O que a regra de bolso não enxerga
Isolamento térmico, cor e material do telhado, área envidraçada, orientação da fachada, cortinas, quantidade de renovação de ar e até o andar do apartamento afetam a carga térmica real.
Cobertura sob laje exposta ao sol pode precisar de bem mais que a conta indica. Apartamento de andar intermediário, cercado por vizinhos climatizados, precisa de menos.
Para ambiente comercial, sala de servidores ou projeto de fato, o caminho é o cálculo de carga térmica pela NBR 16401, feito por profissional. A regra de bolso resolve o caso residencial comum, e é para ele que esta página serve.
BTU, potência e consumo
BTU por hora mede capacidade de retirar calor, não consumo de energia. Dois aparelhos de 12.000 BTU podem ter contas de luz bem diferentes conforme a eficiência.
O selo do Inmetro e a classificação do Procel indicam essa eficiência. Em aparelho que fica ligado muitas horas por dia, a diferença entre uma classe A e uma classe C aparece rápido na conta.
Modelos inverter costumam consumir bem menos em uso prolongado, porque evitam as partidas sucessivas do compressor.