A conta que a concessionária faz
A unidade da conta de luz é o quilowatt-hora, que mede energia consumida: um aparelho de 1.000 watts ligado por uma hora consome 1 kWh. A fórmula é potência em watts, multiplicada pelas horas de uso, dividida por mil.
Watt mede potência, a velocidade com que a energia é consumida. Quilowatt-hora mede a energia acumulada. Um chuveiro de 5.500 W é potente, mas fica ligado pouco tempo; uma geladeira de 150 W é fraca e nunca desliga. O que pesa na conta é o produto dos dois.
Multiplicando o consumo mensal pela tarifa se chega ao valor em reais. A tarifa que vale é a da sua fatura, com todos os tributos: a que a distribuidora publica é sem impostos e subestima a conta em cerca de um terço.
Por que a geladeira não consome 24 horas por dia
Aparelhos com termostato — geladeira, freezer, ar-condicionado — ligam e desligam sozinhos o tempo todo. Eles ficam 24 horas na tomada, mas o compressor só puxa energia durante parte disso.
Considerar as 24 horas como consumo cheio triplica o resultado de uma geladeira. A calculadora aplica um fator de uso efetivo nesses aparelhos, e mostra na tela quantas horas de compressor a conta usou de fato.
O fator varia muito com a temperatura ambiente, quantas vezes a porta é aberta e o estado da borracha de vedação. Uma geladeira mal vedada em cozinha quente pode passar de 60% do tempo ligada, e o consumo sobe na mesma proporção.
Onde a conta de luz realmente cresce
Quase tudo que aquece é caro: chuveiro, ferro, forno elétrico, secador, torneira elétrica. São aparelhos de resistência, com potência de milhares de watts, e cada minuto a mais pesa.
O chuveiro elétrico sozinho costuma responder por um quarto da conta de uma casa. Reduzir o banho de 15 para 8 minutos, ou trocar a posição de inverno pela de verão, muda o número mais do que qualquer outra medida doméstica isolada.
Já eletrônicos em espera consomem pouco individualmente — de 1 a 3 watts —, mas somam a casa inteira ligada o mês todo. Vale desligar, sem esperar que isso resolva a conta sozinho.
A potência da etiqueta é a que manda
As potências oferecidas na lista são referências típicas de mercado, e servem para uma estimativa rápida. O valor real do seu aparelho está na etiqueta, normalmente atrás ou embaixo, e é sempre melhor.
Ar-condicionado é o caso em que a diferença mais aparece. Um modelo inverter pode consumir metade de um modelo convencional de mesma capacidade em BTU, porque ajusta a rotação em vez de ligar e desligar.
Se a etiqueta trouxer o consumo mensal em kWh já medido pelo Inmetro, use direto esse número: ele vem de ensaio padronizado e é mais confiável do que qualquer cálculo por potência.