TOFY Uma empresa do grupo TOFY · ver todas as unidades
CalculadorasTOFY
Com horas faturáveis e imposto por dentro

Quanto cobrar por hora trabalhando por conta

Dividir o salário desejado por 160 horas erra por larga margem. Aqui entram os custos, as férias e as horas que ninguém paga.

Seus dados

Dados para o cálculo
O que precisa sobrar limpo para você viver.
Contador, software, internet, equipamento, coworking, cursos.
Inclua feriados e os dias que você sabe que não vai trabalhar.
Quanto das horas na agenda vira fatura. Quem começa fica abaixo de 50%; 70% é bom.
Opcional. É o que sobra para reinvestir no negócio, além da sua retirada.

Resultado

Ative o JavaScript para calcular. O conteúdo explicativo abaixo continua disponível.

Por que a conta de dividir por 160 não funciona

A conta intuitiva pega o salário desejado e divide por 160 horas do mês. Ela supõe três coisas, e as três são falsas: que todas as horas do mês são vendáveis, que não existe custo e que não existe imposto.

Corrigindo as três, o valor da hora costuma sair de 60% a 100% acima do que a conta ingênua sugeria. Não é ganância: é o preço de operar sem empregador.

Quem cobra pela conta ingênua trabalha o mês inteiro, entrega tudo, e ainda assim recebe menos do que o salário que queria — porque parte do faturamento foi para imposto, custo e para as horas que ninguém pagou.

As horas que não viram fatura

De cada hora na agenda, só uma fração é cobrável. O resto é prospecção, proposta que não fecha, reunião de alinhamento, e-mail, orçamento, nota fiscal, cobrança e retrabalho que você não pode faturar.

Quem está começando costuma ficar abaixo de 50% de aproveitamento, porque gasta muito tempo procurando cliente. Setenta por cento é um número bom para quem já tem carteira. Acima de 80% é raro, e costuma ser insustentável por muito tempo.

Essa é a variável que mais muda o resultado, e a que mais gente ignora. Com 40 horas semanais e 70% de aproveitamento, sobram cerca de 112 horas faturáveis por mês — e não 160.

Imposto entra por dentro, não por fora

Com alíquota de 6%, a tentação é multiplicar o preço por 1,06. Está errado: o imposto incide sobre o faturamento, e não sobre o que sobra depois dele.

A conta correta é dividir por (1 − alíquota). Para receber R$ 10.000 líquidos com 6% de imposto, é preciso faturar R$ 10.638, e não R$ 10.600.

A diferença parece pequena em 6% e cresce rápido conforme a alíquota sobe. Em 15%, multiplicar por fora deixa você pagando quase um sexto do imposto do próprio bolso.

As férias e o décimo terceiro que ninguém paga

Como CLT, um mês de férias é pago, e ainda há o terço constitucional e o décimo terceiro. Por conta própria, o mês parado simplesmente não fatura.

Isso significa que o custo real de tirar férias precisa estar embutido no preço da hora de todos os outros meses. É por isso que a hora de um autônomo precisa ser mais cara que a hora equivalente de um assalariado com o mesmo salário.

O mesmo vale para doença, imprevisto e cliente que atrasa pagamento. Um colchão de custo mensal maior do que o mínimo é o que evita que qualquer tropeço vire dívida.

Cobrar por hora tem um problema estrutural

Cobrar por hora pune quem melhora. Quanto mais experiente você fica, menos tempo leva para entregar a mesma coisa — e menos ganha por ela. É o único modelo de precificação em que ficar bom reduz a receita.

Use este número como piso de referência e como base para orçar. Quando o trabalho permitir, cobre por projeto: aí a produtividade que você conquistou fica com você, e não com o cliente.

Para orçar por projeto, estime as horas com honestidade, aplique este valor e acrescente uma folga para o imprevisto. A folga não é gordura: é o preço de assumir o risco de prazo, que num contrato por hora seria do cliente.

Perguntas frequentes

Como calcular quanto cobrar por hora?

Some a retirada desejada e os custos, embuta o imposto dividindo por (1 − alíquota), e divida pelas horas realmente faturáveis do mês — não pelas 160 horas do calendário.

Quantas horas do mês dá para faturar?

Entre 50% e 80% das horas na agenda, conforme a experiência. Com 40 horas semanais e 70% de aproveitamento, sobram cerca de 112 horas faturáveis por mês.

Como embutir o imposto no preço?

Dividindo por (1 − alíquota), e não multiplicando por (1 + alíquota). Para receber R$ 10.000 líquidos com 6% de imposto, é preciso faturar R$ 10.638.

Por que a hora do autônomo é mais cara que a do CLT?

Porque ela precisa cobrir férias, décimo terceiro, INSS, período sem cliente, custos do negócio e as horas administrativas — tudo que um empregador pagaria à parte.

Vale mais cobrar por hora ou por projeto?

Por projeto, quando o trabalho permitir. Cobrar por hora pune quem fica mais rápido: você entrega melhor em menos tempo e recebe menos por isso.

Devo incluir margem de lucro além da minha retirada?

Sim, se o negócio precisa reinvestir em equipamento, curso ou reserva. A retirada é o seu salário; a margem é o que faz o negócio crescer em vez de só se manter.

Fontes e atualização

Aercio Rocha Santos Júnior

Responsável pelo conteúdo e pelos cálculos · atualizado em 16 de janeiro de 2026

Calculadoras relacionadas