O que o IMC calcula
O índice de massa corporal é o peso dividido pela altura ao quadrado. Uma pessoa de 70 kg e 1,75 m tem IMC de 70 ÷ (1,75 × 1,75) = 22,9. É só isso — duas medidas e uma divisão.
A fórmula foi criada por Adolphe Quetelet no século XIX para descrever populações, não indivíduos. A Organização Mundial da Saúde a adotou nos anos 1990 porque é barata, rápida e razoavelmente correlacionada com risco de doença em grandes grupos. Nenhuma dessas qualidades a torna um diagnóstico.
As faixas da OMS e o que elas significam
Abaixo de 18,5 é magreza; de 18,5 a 24,9 é a faixa de peso adequado; de 25 a 29,9 é sobrepeso; a partir de 30 começam os graus de obesidade, divididos em I, II e III.
Os limites são pontos de corte convencionados, não paredes. Um IMC de 24,9 e um de 25,1 descrevem praticamente o mesmo corpo, ainda que caiam em faixas com nomes diferentes. A tabela ajuda a situar; ela não decreta.
Onde o IMC erra
Ele não distingue músculo de gordura. Um atleta com muita massa magra pode aparecer como sobrepeso ou obeso sem ter excesso de gordura algum. É o caso clássico e é frequente entre quem treina força.
Ele também não vê onde a gordura está. Gordura abdominal tem risco cardiovascular bem maior que gordura nos quadris, e o IMC trata as duas como iguais. Por isso a circunferência da cintura costuma ser medida junto.
Idosos perdem massa muscular e ganham gordura mantendo o mesmo peso: o IMC não muda, mas o corpo mudou. E há diferenças por etnia — populações asiáticas apresentam risco metabólico aumentado em IMCs mais baixos, o que levou vários países a adotarem pontos de corte próprios.
O que olhar junto
Circunferência abdominal, percentual de gordura, pressão arterial, glicemia e perfil lipídico dizem sobre saúde metabólica muito mais do que a divisão do peso pela altura ao quadrado.
Se o resultado aqui preocupou, o próximo passo não é uma dieta encontrada na internet: é uma consulta. Quem interpreta esses números em conjunto com o seu histórico é um profissional de saúde.