Pace e velocidade são inversos um do outro
Pace é o tempo gasto por quilômetro: 5:00 significa cinco minutos para cada quilômetro. Velocidade é a distância por hora: 12 km/h significa doze quilômetros em uma hora. As duas descrevem o mesmo esforço de trás para frente.
A conversão é uma divisão simples: 60 dividido pelo pace em minutos decimais dá a velocidade em km/h. Um pace de 5:00, que é 5,0 minutos, dá exatamente 12 km/h.
É por isso que melhorar o pace significa baixar o número, ao contrário de quase todo indicador esportivo. Um corredor que passa de 5:30 para 5:00 ficou mais rápido, mesmo com o número menor.
Por que não dá para somar pace de cabeça
Minuto tem 60 segundos, e não 100. Somar 5:30 com 4:30 como se fossem números decimais daria 9:60, que não existe — o resultado correto é 10:00.
É aqui que quebra a maior parte do cálculo mental de corredor iniciante, e o erro sempre aparece para menos, criando a impressão de um ritmo melhor do que o real.
A solução é converter tudo para segundos, fazer a conta e só então voltar para minuto e segundo. É exatamente o que esta calculadora faz internamente, e por isso as parciais fecham com o relógio.
As distâncias oficiais
A maratona tem 42,195 km, e o número quebrado não é acidente: veio da distância entre o castelo de Windsor e o estádio olímpico de Londres, em 1908, ajustada para que a chegada ficasse diante do camarote real.
A meia maratona tem exatamente metade disso, 21,0975 km. Arredondar para 21 km parece inofensivo, mas tira quase 30 segundos do tempo previsto em ritmo de 5:00, o que é bastante numa prova disputada.
As demais distâncias de rua — 5 km, 10 km, 15 km — são redondas mesmo. Em provas certificadas o percurso é medido pelo caminho mais curto permitido, e por isso o relógio GPS quase sempre marca um pouco mais do que a distância oficial.
As projeções são um teto, não uma meta
A tabela de projeções mantém o mesmo pace em todas as distâncias, e isso não acontece na prática. Ninguém sustenta numa maratona o ritmo que segura em 5 km.
Modelos de previsão de prova aplicam uma correção que cresce com a distância — a fórmula de Riegel é a mais usada, e prevê que o tempo cresce um pouco mais rápido que a distância.
Use a projeção como o limite superior do que seria possível, e não como plano de prova. Um plano realista de maratona costuma ficar de 20 a 40 segundos por quilômetro mais lento que o pace de 10 km.
Ritmo constante ou negative split
As parciais desta calculadora supõem ritmo constante do começo ao fim, que é a estratégia mais eficiente em teoria e a mais difícil de executar na prática, porque a empolgação da largada empurra para cima.
A estratégia chamada de negative split consiste em correr a segunda metade um pouco mais rápido que a primeira. Quase todos os recordes de maratona foram feitos assim, ou muito perto disso.
O contrário — sair rápido e cair no fim — é o padrão de quem não controla o ritmo, e é o que produz o muro do quilômetro 30. Levar as parciais anotadas no braço resolve boa parte do problema.