Depositar no dia 1 ou no dia 30 muda o resultado
A diferença entre aportar no início e no fim do mês vale exatamente um período de juros sobre toda a série. Não é detalhe: em dez anos a 0,9% ao mês, ela passa de mil reais para quem guarda mil por mês.
É a causa mais comum de a conta de uma calculadora não bater com o extrato do banco. As duas convenções existem, e quase nenhuma calculadora diz qual está usando.
Na prática, quem investe no dia do salário está aportando no início do mês. Quem guarda o que sobra está aportando no fim. Vale escolher a opção que corresponde ao seu hábito real.
Reajustar o aporte muda mais que aumentar a taxa
Aumentar o aporte um pouco a cada ano tem efeito maior do que quase qualquer ganho de rentabilidade, e é a única das duas variáveis que está sob seu controle.
Manter o mesmo valor nominal por vinte anos significa, na prática, guardar cada vez menos: a inflação corrói o poder de compra do aporte. Reajustar pela inflação apenas mantém o esforço constante — não é aumentar de verdade.
O reajuste aqui entra no aniversário de cada doze meses de aporte, e não no início do ano civil, porque é assim que a decisão costuma acontecer: junto com o reajuste do próprio salário.
O mês em que os juros passam o dinheiro guardado
Existe um ponto na simulação em que o rendimento acumulado ultrapassa o total depositado. A partir dali, o dinheiro que o dinheiro fez vale mais que o dinheiro que você colocou.
É esse ponto que faz o gráfico de juro composto virar para cima, e ele demora bem mais do que a intuição sugere. Com 0,9% ao mês, ele costuma aparecer perto do décimo ano.
Antes desse ponto, o que constrói patrimônio é o aporte. Depois dele, é o tempo. É por isso que começar cedo com pouco vence começar tarde com muito, e a diferença não é sutil.
A matemática por trás
O valor futuro de uma série de aportes iguais é A × ((1 + i)ⁿ − 1) ÷ i. Ela sai da soma de uma progressão geométrica: cada aporte rende por um número diferente de meses, e a fórmula fecha essa soma de uma vez.
O primeiro aporte rende por quase todo o prazo; o último não rende nada, se for feito no fim do último mês. A fórmula pesa isso automaticamente.
Quando há reajuste do aporte, a série deixa de ser de valores iguais e a fórmula fechada não se aplica. Nesse caso a simulação precisa rodar mês a mês, que é o que esta calculadora faz sempre — e por isso a tabela mostra cada linha.
O que este número não considera
O resultado é nominal. Não desconta inflação, e em vinte anos isso muda tudo: o valor acumulado compra bem menos do que parece. Para ver o poder de compra, use uma taxa real, já descontada a inflação esperada.
Também não desconta imposto de renda nem taxa de administração. Em renda fixa tributada, a alíquota cai de 22,5% para 15% conforme o prazo passa de dois anos, e incide só sobre o rendimento.
E supõe taxa constante, que não existe na vida real. Serve para dimensionar ordem de grandeza e comparar cenários, não para prever o saldo exato de daqui a uma década.