Como funciona o juro simples
No regime simples o juro incide sempre sobre o capital original. O rendimento de um período não se incorpora à base do período seguinte, e por isso o valor cresce em linha reta: J = C × i × n.
Com R$ 5.000 a 2% ao mês por 24 meses, o juro é R$ 5.000 × 0,02 × 24 = R$ 2.400, e o montante é R$ 7.400. No regime composto, o mesmo dinheiro chegaria a R$ 8.042,19 — R$ 642,19 a mais, só porque o juro passou a render juro.
Onde o juro simples aparece de verdade
Na prática financeira brasileira, o regime composto é a regra. O juro simples sobrevive em situações específicas: multa e juros de mora em contratos e tributos, geralmente 1% ao mês; descontos comerciais de curto prazo; e cálculos judiciais de atualização, conforme o critério fixado na decisão.
Empréstimo, financiamento, cartão de crédito, cheque especial e qualquer investimento usam capitalização composta. Uma proposta que se apresenta como "juro simples de 2% ao mês" em prazo longo merece leitura atenta do contrato: o que costuma valer é a taxa efetiva do CET.
Taxa proporcional e taxa equivalente
No regime simples, taxas se convertem por proporção: 2% ao mês são 24% ao ano, e 12% ao ano são 1% ao mês. É a única situação em que multiplicar e dividir por 12 está correto.
No regime composto isso não vale. Lá, 2% ao mês equivalem a 26,82% ao ano. Confundir os dois critérios é o erro que mais aparece em comparações de propostas.
Quando o juro simples favorece quem paga
Em prazos curtos, a diferença entre simples e composto é pequena. Em prazos longos, ela domina o resultado: a 2% ao mês, em cinco anos, o simples multiplica o capital por 2,2 e o composto por 3,28.
Isso significa que, para quem toma emprestado, o juro simples é sempre melhor no longo prazo. Para quem investe, é sempre pior.
É por isso que praticamente todo produto de crédito e de investimento no Brasil trabalha com juro composto, e o simples sobrevive quase só em multas, mora e situações reguladas por lei.
Juros de mora e multa contratual
O Código Civil, no art. 406, fixa os juros de mora na taxa legal quando não há pactuação. A multa moratória em relações de consumo é limitada a 2% pelo Código de Defesa do Consumidor.
Multa e juros são coisas distintas e se somam: a multa é um valor único pelo atraso, e os juros correm por dia enquanto o atraso durar.
Nesses casos os juros são simples por determinação legal — a capitalização mensal em dívida civil depende de previsão expressa e é objeto de restrição.
Taxa proporcional na prática
No regime simples, dividir e multiplicar a taxa funciona: 12% ao ano equivalem a 1% ao mês, e 1% ao mês equivalem a 12% ao ano. É a chamada taxa proporcional.
No regime composto isso deixa de valer. Um por cento ao mês capitalizado dá 12,68% ao ano, e não 12% — a diferença é o juro sobre juro dos meses anteriores.
Confundir taxa proporcional com taxa equivalente é o erro mais comum em comparação de crédito, e ele sempre favorece quem está vendendo.