O que o percentual de gordura acrescenta ao IMC
O IMC relaciona peso e altura e não sabe do que o peso é feito. Um atleta com muita massa muscular pode aparecer como sobrepeso; uma pessoa sedentária e magra pode aparecer como saudável enquanto carrega proporção alta de gordura.
O percentual de gordura separa as duas coisas: quanto do seu peso é tecido adiposo e quanto é massa magra — músculo, ossos, órgãos e água.
Continua sendo uma estimativa. Mas é uma estimativa que responde a uma pergunta melhor.
O método da Marinha americana
Desenvolvido por Hodgdon e Beckett em 1984, é usado até hoje na triagem das forças armadas dos Estados Unidos. Ele estima a gordura a partir da relação, em escala logarítmica, entre as circunferências do corpo e a altura.
Para homens, usa pescoço e cintura. Para mulheres, acrescenta o quadril, porque a distribuição de gordura difere e a cintura sozinha explica menos.
A precisão típica fica em torno de 3 a 4 pontos percentuais para o indivíduo, e depende muito da qualidade da medida. Fita frouxa, fita apertada demais ou ponto de medição diferente a cada vez produzem variações maiores que a mudança real.
A fórmula de Deurenberg
Publicada em 1991, estima a gordura a partir do IMC, da idade e do sexo. Não precisa de fita métrica nenhuma, o que é a sua vantagem e o seu limite.
Como parte do IMC, ela herda o problema do IMC: não distingue músculo de gordura. Em pessoas muito musculosas, superestima; em idosos com pouca massa magra, pode subestimar.
Ela aparece aqui como contraponto. Quando as duas estimativas ficam próximas, há mais razão para confiar no número; quando divergem muito, é sinal de que a composição corporal foge da média e nenhuma das duas deveria ser levada ao pé da letra.
Como medir para não errar
Meça sempre no mesmo horário, de preferência em jejum e antes de treinar. A cintura varia ao longo do dia com alimentação e retenção de líquido.
Use fita inelástica, mantenha-a paralela ao chão e apoiada na pele sem comprimir. Respire normalmente e não prenda a barriga — o objetivo é medir, não passar no teste.
Para acompanhar evolução, a constância da medida importa mais que a exatidão dela. Um erro sistemático de meio centímetro que se repete todo mês ainda mostra a direção certa.
O que é medida de verdade
Densitometria por dupla emissão de raios X, pesagem hidrostática e pletismografia por deslocamento de ar são os métodos de referência. Todos exigem equipamento e nenhum cabe numa página da internet.
As dobras cutâneas medidas por um profissional treinado, com adipômetro, ficam num meio-termo: mais precisas que fita métrica, menos que densitometria, e muito dependentes de quem mede.